terça-feira, dezembro 11, 2007

Tendo a lua



Hoje joguei tanta coisa fora
Vi o meu passado passar por mim
Cartas e fotografias gente que foi embora.
A casa fica bem melhor assim

O céu de Ícaro tem mais poesia que o de Galileu
E lendo teus bilhetes, eu penso no que fiz
Querendo ver o mais distante e sem saber voar
Desprezando as asas que você me deu

Tendo a lua aquela gravidade aonde o homem flutua
Merecia a visita não de militares,
mas de bailarinos
e de você e eu.

Hoje joguei tanta coisa fora
E lendo teus bilhetes, eu penso no que fiz
Cartas e fotografias gente que foi embora.
A casa fica bem melhor assim

Tendo a lua aquela gravidade aonde o homem flutua
Merecia a visita não de militares,
mas de bailarinos
e de você e eu.
PARALAMAS DO SUCESSO (Tendo a lua, Os grãos - 1991)

quarta-feira, outubro 24, 2007

Ecos do ão


http://www.youtube.com/watch?v=XdWboLTuvSw

Rebenta na febem rebelião
Um vem com um refém e um facão
A mãe aflita grita logo: não!
E gruda as mãos na grade do portão

Aqui no caos total do cu do mundo cão
Tal a pobreza, tal a podridão
Que assim nosso destino e direção
São um enigma, uma interrogação

E se nos cabe apenas decepção
Colapso, lapso, rapto, corrupção?
E mais desgraça, mais degradação?
Concentração, má distribuição?

Então a nossa contribuição
Não é senão canção, consolação?
Não haverá então mais salvação?
Não, não, não, não, não...

Ecos do ão

Pra descender a densa dimensão
Da mágoa imensa e tão somente então
Passar além da dor, da condição
De inferno e céu, nossa contradição

Nós temos que fazer com precisão
Entre projeto e sonho a distinção
Para sonhar enfim sem ilusão
O sonho luminoso da razão

E se nos cabe só humilhação
Impossibilidade de ascensão
Um sentimento de desilusão
E fantasias de compensação?

E é só ruína tudo em construção?
E a vasta selva só devastação?
Não haverá então mais salvação?
Não, não, não, não, não...

Ecos do ão

Porque não somos só intuição
Nem só pé de chinelo, pé no chão
Nós temos violência e perversão
Mas temos o talento e a invenção
Desejos de beleza em profusão
E idéias na cabeça, coração
A singeleza e a sofisticação
O choro, a bossa, o samba e o violão

Mas se nós temos planos, e eles são
O fim da fome e da difamação
Por que não pô-los logo em ação?
Tal seja agora a inauguração
Da nova nossa civilização
Tão singular igual ao nosso ão
E sejam belos, livres, luminosos
Os nosso sonhos de nação!


LENINE & CARLOS RENNÓ (Ecos do ão , Falange Canibal - 2003)

segunda-feira, outubro 22, 2007

Aquilo

Outra vez a mesma historia
Volta sempre acontecer
Vai passar de hora em hora
depois que ligarem a TV
Veja as sombras coloridas
sussurando em som surround
Deslizando na avenida
meio alheio ao temporal
E nao tem vacilo
nem engano
que estrague
nosso plano
isto é se for
aquilo que chamam amor
aquilo que chamam amor
aquilo que chamam...


LULU SANTOS (Aquilo, Calendário - 1999)

quarta-feira, outubro 17, 2007

...mas quem sabe ainda haja
outra
chance...

domingo, outubro 14, 2007





"Quem não sabe

o que procura,

não percebe

quando

encontra."

segunda-feira, outubro 08, 2007

Poderoso sexo frágil

http://noticias.uol.com.br/economia/carreiras/artigos/polito/2007/10/08/ult4385u35.jhtm

REINALDO POLITO (mestre em ciência da comunicação, palestrando e professor de expressão verbal;
escreveu 15 livros que venderam mais de 1 milhão de
exemplares)

domingo, setembro 30, 2007

Eu conheço um planeta onde há um sujeito vermelho, quase roxo.
Nunca cheirou uma flor.
Nunca olhou uma estrela.
Nunca amou ninguém.
Nunca fez outra coisa senão somas.
E o dia todo repete como tu: "Eu sou um homem sério! Eu sou um homem sério!" e isso o faz inchar-se de orgulho.
Mas ele não é um homem; é um cogumelo!

ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY (piloto da Segunda Guerra Mundial; escritor e ilustrador de 'Le petit prince' durante exílio nos EUA)

sábado, setembro 22, 2007

...
we'll make it
...
Take all your big plans
And break 'em
This is bound to be a while... ;)

terça-feira, setembro 11, 2007

O mendigo que me fez sorrir

"Moça, a senhora tem um minuto?"
Olhei para trás, um homem mal vestido, sujo; com um sorriso iluminado.
Hesitei em dar-lhe o minuto mas cedi ao que chamariam de loucura. Olhei-o como se respondesse sim, sorri esperando que me pedisse algo.
"Com todo o meu respeito mesmo, a moça é muito bonita!"
Sem graça, sorri e soltei um obrigada em meio às desculpas do homem por não querer me assustar.
"E a senhora é mais bonita ainda porque parou pra ouvir um mendigo... Bonita a sua humildade."
Não sabia como agir nem o que dizer ao homem da rua, e como se percebesse isso, pediu para que eu nao me constrangesse pois ele era "só um mendigo mesmo, mas eu precisava falar isso pra senhora... e a senhora ouviu! Fico muito agradicido! ...Pode seguir seu caminho dona moça, não quero atralhar a sua andança."
Mas ele não atrapalhava, nem assustava.
Tinha conseguido tirar um sorriso de meu rosto e me feito parar por um instante pra ver que o mundo não é das pessoas sérias, auto-entituladas corretas, que andam altivas pelas ruas; e como se pudesse ver por através de meus olhos os pensamentos, falou suas quase últimas palavras:
"Só é feliz quem pode fazer carinho num cachorro, quem pode plantar uma frô ou parar pra ouvir alguém, mesmo que esse alguém seja assim, mendigo, como eu... E eu vejo que a moça é feliz."
Meus olhos enxeram-se de lágrimas e ele me deixou pedindo desculpas caso tenha me coagido. "Aprendi essa palavra hoje, numa música... É bonita também, não é dona?!"
"É moço, é bonita sim..." escondendo o choro por trás de outro sorriso.
"Bom dia pra senhora, que Deus te deixe sempre com esse sorriso assim... Mta felicidade pra moça, bom trabalho."
"Obrigado senhor, bom dia pro senhor também!"
"Amém! Vai ser moça, vai ser..."
Foi embora e tomei também o meu caminho de volta agradecendo por ter parado para ouvir o homem. Pensamentos soltos por aí, mas no fim o que permanecia era que hoje eu encontrara um mendigo e ele me fizera sorrir...
Chegando em casa não resisti em contar no papel o acontecido. Tão simples, mas que me fizera ver as coisas mais belas e parar mais para acariciar um cachorro, plantar uma flor e, quem sabe, conversar com um mendigo...

Texto por Isadora depois da conversa com o mendigo, em 11 de Setembro de 2007.

quinta-feira, agosto 30, 2007

Olha meu bem o céu
Vê quanta luz, quanta estrela
Quase todas mortas
Só não é chegado para nós
O tempo que se apagarão
A gente tá na lanterna
Do tempo que virá

LULU SANTOS (Tempo espaço)


segunda-feira, agosto 27, 2007

Certo pelo incerto ?
Incerto pelo certo ?
Gosto tanto que nem sei ...
E agora ?
...

domingo, agosto 12, 2007

Domingo à tarde

Que vontade desesperada de sair por aí, prum lugar cheio de verde e me jogar na grama... Pode ser também um lugar azul. Uma praia e só o barulho do mar...

Dar um abraço em alguém, mas daqueles apertados de verdade; de ficar com a cabeça encostada no peito da pessoa, só escutando o que o coração dela está querendo dizer...

Vontade de cantar pra todo o mundo ouvir, não sei bem que música seria... mas queria que o mundo escutasse! Talvez me achassem louca, mas não importa, eu estaria feliz com um céu azul sobre a melodia...

De ficar parada bem no meio de uma plantação de girassóis, só olhando para aquele amarelo todo... ou de ter uma cesta e fazer piquenique embaixo de uma árvore do parque com meu melhor amigo e uma toalha xadrez.

De sair de mãos dadas e não saber pra onde ir... Só ir; lá na frente a gente resolve! Pode também não resolver; não importa desde que as mãos estejam dadas!

Vontade de ficar jogada no tapete da sala com ele (ele quem?) ouvindo Dire Straits e dando risada da vida, dos reencontros inesperados... tão inesperados quanto aquele.

Vontade de tanta coisa que já me perdi...
Será?

Vontade de pintar borboletas, mudar o quarto de lugar pela décima vez em três meses, de passear com o cachorro, de ir ao cinema sozinha, de cantar, pintar uma parede de lilás, brincar com uma criança, ganhar uma flor e sair com ela no cabelo...

De colocar um vestido e dançar Let’s get it on num lugar em que ninguém espera que alguém dance; ou de cantar Three o’clock blues em um bar a meia luz...

Loucuras de domingo à tarde... quando dá tempo de parar e pensar.

Ou parar de pensar.

Quem sabe?!


Texto por Isadora, em 12 de agosto de 2007 (um domingo à tarde)

sexta-feira, julho 27, 2007

O que desejar fazer, faça logo!
Existem quantidades limitadas de amanhãs..
JOHN LENNON

sexta-feira, julho 20, 2007


Tell me did the wind sweep you off your feet?
Did you finally get the chance to dance along the light of day
and head back toward the milky way?

Tell me did you sail across the sun?
Did you make it to the milky way to see the lights all faded
and that heaven is overrated?

Tell me did you fall for a shooting star,
one without a permanent scar?
And did you miss me while you were looking for yourself out there?

domingo, julho 01, 2007

A idiotice é vital para a felicidade

Gente chata essa que quer ser séria, profunda, visceral.
Putz, coisa pentelha!
A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado do Schopenhauer?
Deixe a pungência para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores.
No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota. Ria dos próprios defeitos, tire sarro de suas inabilidades. Ignore o que o boçal do seu chefe proferiu.
Pense assim: “Quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele…
Pobre dele.”

Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice.
Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, objetivos claramente traçados mas não consegue rir quando tropeça?
Que sabe resolver uma crise familiar mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana?
Sim, porque é bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar? Em suma: desaprenderam a brincar.
Eu não quero alguém assim comigo.
A realidade já é dura; piora se for densa.
Dura e densa, ruim.

Brincar é legal, entendeu?
Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não se descontrolar, não demonstrar o que sente.
É muito “não”. Dá pra ser feliz com tanto “não”?
Pagar as contas, ser bem-sucedido, amar, ter filhos - tarefa brava.
Piora, muito, com o peso de todos aqueles “nãos”.

Tenha fé em uma coisa: dá certo ser adulto e idiota.
Aliás, tudo fica bem mais fácil ser for regado a idiotice, bom humor.
Manuel Bandeira foi um grande homem e um grande poeta. Disse certa vez: “E por que essa condenação da piada, como se a vida fosse só feita de momentos graves ou só nesses houvesse teor poético?”.
Estava certo.

Empine pipa!!! Adultos podem (e devem) contar piadas, ir ao fliperama, beliscar a bunda da sua mulher, sair pelados pela cozinha.
Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único “não” aceitável.

Teste a teoria. Uma semaninha, pra começar.
Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que são: passageiras.
A briga, a dívida, a dor, a raiva, tudinho vai passar, então pra que tanta gravidade?
Já fez tudo o que podia para resolver o problema? Parou, chorou, pediu arrego? Ótimo, hora da idiotice: entre na Internet, jogue pebolim, coma um churrasco grego.

Tá numas de empinar pipa no sábado? Vá.
Quer conversar com sua namorada imitando o Pato Donald mas acha muito boçal? E é, mas e daí? Você realmente acha que ela vai gostar menos de você por isso? Ela não vai, tenha certeza. Só vai gostar mais, porque é delicioso estarmos com quem sorri e ri de si mesmo.

Eu fico chateado por não ser tão idiota quanto gostaria; tenho uma mania horrível de, sem querer, recair na seriedade.
Então o mundo fica cinza e cada lágrima ganha o peso de uma bigorna. Nessas horas não preciso de cenhos franzidos de preocupação. Nessas horas tudo de que preciso é uma bela, grande e impagável idiotice. Como sair pra jogar paintball - ou, melhor ainda, me olhar fixamente no espelho até notar como fico feio com os olhos vermelhos e o nariz escorrendo.
Como fico ridículo quando esqueço que tudo passa.
Bom mesmo é ter o problema na cabeça, o sorriso na boca e paz no coração!!!!


AILIN ALEIXO (Colunista de Revista VIP, onde esse
artigo foi originalmente publicado.)

sábado, junho 16, 2007

Quero voltar a ser eu

Eu, que era eu – sim, porque eu já fui eu –, cheguei à triste conclusão de que não sou mais eu. Meu nome, que, por isso mesmo, já esqueci, não interessa a mais ninguém. Para um médico, por exemplo, sou apenas o cliente. Num restaurante, sou freguês. Na condução, passageiro. Nos correios, remetente. Num supermercado, consumidor. Para o imposto, sou contribuinte; com o prazo vencido, viro inadimplente. Para votar, sou eleitor; mas num comício, sou massa.

Viajar? Viro turista. Na rua, caminhando, sou pedestre; se me atropelam, sou acidentado; no hospital, paciente; para os jornais, sou vítima. Se compro um livro, viro leitor; para o rádio sou ouvinte; para o Ibope, espectador; e, para o futebol, eu, que já fui torcedor, virei galera.

Já sei que, quando eu morrer, ninguém vai se lembrar do meu nome. Vão me chamar de “o finado”, “o extinto”, “o falecido”, e, em certos círculos, até de “o desencarnado”. Só espero que o padre, na missa de sétimo dia, não me chame de “o sucumbido”. Logo a mim, que, no meu apogeu, já fui mais eu.

MAX NUNES (nasceu no Rio de Janeiro, em 1922. Médico, acabou se tornando um dos maiores humoristas brasileiros. Criador do famoso programa Balança, mas não cai, da década de 50, na Rádio Nacional, passou pelo Diário da Noite e Tribuna da Imprensa, sendo hoje um dos produtores do programa de tv Jô Soares Onze e meia.)

segunda-feira, junho 11, 2007


Fazer coisa errada
faz bem!

segunda-feira, maio 21, 2007

Paciência

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não para...

Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora vou na valsa
A vida e tão rara
Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência

O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do
mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência
Será que é o tempo que lhe falta pra perceber?
Será que temos esse tempo pra perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara...


Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para...

Será que é tempo que me falta pra
perceber?
Será que temos esse tempo pra perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara...
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei,a vida não para...

LENINE (Na pressão, 2000)

quarta-feira, abril 18, 2007

Like a Star...

Just like a star across my sky,
just like an angel off the page,
you have appeared to my life,
feel like I'll never be the same,
just like a song in my heart,
just like oil on my hands,
Oh.. I do love you,

Still I wonder why it is,
I don't argue like this,
with anyone but you,
we do it all the time,
blowing out my mind,

You've got this look I can't describe,
you make me feel like I'm alive,
when everything else is a fade,
without a doubt you're on my side,
heaven has been away too long,
can't find the words to write this song,
Oh.... your love,

Still I wonder why it is,
I don't argue like this,
with anyone but you,
we do it all the time,
blowing out my mind,

I have come to understand,
the way it is,
It's not a secret anymore,
'cause we've been through that before,
from tonight I know that you're the only one,
I've been confused and in the dark,
now I understand,

I wonder why it is,
I don't argue like this,
with anyone but you,
I wonder why it is,
I won't let my guard down,
for anyone but you
we do it all the time,
blowing out my mind,

Just like a star across my sky,
just like an angel off the page,
you have appeared to my life,
feel like I'll never be the same,
just like a song in my heart,
just like oil on my hands.

CORINNE BAILEY RAE (Put your records on,
2006)

terça-feira, abril 17, 2007

Uma moça chamada Amor

Em uma noite fria de domingo em fevereiro último, logo após eu ter colocado o bebê na cama, o interfone tocou.
"Você encomendou comida?", perguntei ao meu marido, Paul, que estava debruçado sobre o seu computador na nossa sala de jantar.
"Não".
Eu olhei para os nossos filhos mais velhos, Jacob, 11, e Sasha, 9; nenhum deles estava esperando ninguém.
"Provavelmente ligaram para o apartamento errado", disse eu.
O interfone tocou novamente, desta vez por mais tempo. Fui até a cozinha e apertei o botão.
"Alô!".Uma voz - estridente e masculina - perguntou: "Vocês estão no 15º andar?".
"Sim".
"Algumas das suas janelas estão voltadas para o leste?".
"Por que você quer saber?".
"Sei que isso vai parecer estranho, mas...".
O nome dele era Andrew, disse o homem, e ele era estudante de design. Ele tinha uma namorada que morava no prédio defronte ao nosso, também em um andar alto. Ela era japonesa, mas o seu nome foi formado com o uso de caracter para "amor", que tem o mesmo som em japonês. Ou pelo menos foi isso o que ele disse.
"Construí em neon esse caracter em chinês que significa amor e gostaria de colocá-lo na janela de vocês na noite de terça-feira", explicou ele. "Assim, quando ela acordar no Dia dos Namorados, verá o caracter".
A sua história parecia muito elaborada para ser falsa. Se ele realmente quisesse nos roubar, um simples "Flores!" teria sido o suficiente. Não que eu estivesse esperando flores, mas mesmo assim...
"Quem era?", perguntou Paul.
"Um cara que quer colocar um neon com a palavra amor na nossa janela".
"Como?".
"A namorada dele mora no prédio defronte ao nosso", disse eu. "O nome dela significa amor. Ou ela se chama Amor. Em chinês. Ou algo assim".
"Eu espero que você tenha dito não".
"Na verdade mandei-o subir".
"O que?"
Até os meus filhos me olharam desconfiadamente. "Não se preocupe", afirmei. "Vou observá-lo bem pelo olho mágico".
"Foi isso o que disse Sharon Tate".
"Ah, vamos lá! Onde está o seu romantismo?".
"E onde está o seu juízo?".
O que o meu marido disse fazia sentido. Mas eu sempre fui vulnerável aos grandes gestos românticos: o homem que contrata um piloto de avião para escrever uma declaração de amor no céu, ou que se ajoelha no meio de um estádio lotado. Tais atos recheiam as peças românticas mas são raros na vida real. A idéia de que algo desse tipo ocorresse no nosso apartamento - onde o maior gesto romântico feito ultimamente por mim ou meu marido consistia em deixar o outro pular a sua vez de lavar os pratos - era muito tentadora.
A campainha tocou.
Não seria um exagero dizer que os pelos na parte posterior dos nossos pescoços se eriçaram.
Fui até a porta, olhei pelo olho mágico. No corredor, distorcido pela lente grande angular, estava um homem de uns trinta anos, caucasiano, alto, de compleição média com cabelos louros embaraçados (pensei comigo que talvez mais tarde tivesse que passar essa descrição para a polícia).
Abri a porta.
"Oi", disse ele. "Muito obrigado".
"De nada".
Ele parecia suficientemente inofensivo, mas eu entabulei uma conversa inócua na porta para ver se ele se mostrava agressivo. Depois disso, em uma demonstração de fé - não muito diferente daquela ocorrida quando, 17 anos antes, deixei o meu marido entrar em minha vida - convidei-o a entrar.
Ele foi até a janela da sala de jantar.
"Perfeito", afirmou.
"Aquele lá é o apartamento dela. Então, posso voltar na terça-feira à noite com o meu neon?".
Mais tarde, quando eu e Paul escovávamos os dentes, vi pelo espelho que ele me olhava de uma forma como não fazia há anos. Depois que cuspi na pia, perguntei:
"O que há com você hoje?".
"Estava só lembrando da árvore que comprei para você".
Uma semana após ter conhecido Paul em Paris, onde morávamos, tive que viajar para Bucareste por cinco semanas para cobrir os fatos que se seguiram à revolução romena. Eu gostei dele, e devo ter mencionado algo como desejar uma planta para o meu apartamento, mas naquele ponto da minha vida eu tinha basicamente desistido de me apaixonar, assim como os romenos tinham desistido de serem capazes de falar livremente: um belo conceito, era evidente que outras pessoas no mundo poderiam fazer tal coisa, mas o desgosto e a Securitate eram muito ameaçadores.
A seguir Ceausescu foi fuzilado, a Cortina de Ferro caiu, e retornei de Bucareste para encontrar uma árvore enorme no meu apartamento.
Uma coisa levou a outra, e aqui estávamos nós, 17 anos e três filhos depois, escovando os dentes.
Com a exceção do fato de a coisa toda ser mais complicada do que isso, como o amor sempre é. Houve aqueles incidentes no princípio, que quase mataram a flor do nosso romance ainda no botão; o período intermediário, quando pedaços de porcelana voavam como estilhaços de artilharia; e o momento presente, no qual as possibilidades de romance foram abafadas pela logística e as vicissitudes do destino (uma semana sozinhos novamente em Paris? Claro! Mas quem tomará conta das crianças e quem morrerá de fome para que possamos fazer essa viagem?).
Na noite anterior ao Dia dos Namorados, cheguei tarde ao apartamento que brilhava internamente com uma luz morna e rósea.
Preenchendo a nossa janela, o caracter de Andrew parecia mais um coração humano, cercado daquele tipo de traços que os cartunistas usam para indicar movimento.
Paul estava sentado no seu local de sempre na nossa sala de jantar, curvado sobre o computador, mas quando eu entrei, o que geralmente faz com que ele emita um grunhido e acene rapidamente, o meu marido se voltou para mim e sorriu.
"Não é bonito?", disse Paul.
Ele se levantou da cadeira, aumentou o volume do iPod e na verdade me puxou em sua direção.
"Desde quando você ouve Sinatra?" perguntei.
"Espere um pouco", retrucou ele. "Você também vai gostar".
A seguir ele entrou dançando comigo no nosso quarto.
Por volta de três da manhã, o bebê começou a choramingar no berço. Levantei-me da cama e coloquei a mão na sua testa.
"Ah, não. Leo está quente".
Paul se ofereceu para pegar um pouco de água fria, mas sentindo-me incomumente generosa, disse a ele que eu mesmo traria a água.
Levei Leo até o corredor rumo àquele surpreendente brilho rosa.
Quando viu o neon, ele exclamou, "Uff", que na língua dos bebês significa um grande elogio, e se acalmou instantaneamente.
Leo não foi exatamente planejado, e às vezes acho a tarefa de cuidar dele, 11 e nove anos, respectivamente, após os dois irmãos, exaustiva. Mas naquela noite olhei para as bochechas brilhantes e pensei: "Meu Deus, como eu adoro este bebê lindo!".
Depois disso levei-o até a cozinha e percebi que ele não estava de fato brilhando devido ao neon, mas sim por causa de uma irritação na pele de aparência assustadora.
No dia seguinte o diagnóstico seria eritema infeccioso, mas naquela noite, acalentei-o até que ele dormisse sob o brilho da luz do amor, e ele não nos deu trabalho até de manhã.
Quando o dia nasceu, fui até a sala de jantar ainda rósea para dar a papinha a Leo.
Olhei para fora, vendo os flocos de neve que caíam, e observando o prédio da moça chamada Amor.
Será que ela já acordara?
Será que já vira o neon na noite anterior, ou Andrew descobrira uma maneira inteligente de fazem com que ela não olhasse pela janela até o dia raiar?
Enquanto dava uma colherada de mingau de aveia a Leo, imaginei os dois caminhando e observando o neon.
"Ah, meu Deus", diria a moça chamada Amor. "Não acredito que você fez isso".
"Eu te amo", diria ele.
E a resposta sincera seria. "Eu também te amo".
Sim, ela tinha que trabalhar e ir à escola, mas não havia crianças precisando de colheradas de mingau de aveia, ou shorts de academia para serem lavados, nem merendeiras cheias.
Imaginei a pele jovem dos dois, isenta de estrias ou rugas, os dedos e as coxas entrelaçados.
"A noite passada foi muito boa", disse Paul, beijando-me na testa.
Jacob e Sasha entraram na sala, gritando, "Uau! e "Legal!', quando viram o neon.
Momentos depois, Sasha disse: "Jacob, você fez uns cartões tão bonitos para o Dia dos Namorados. As suas amigas adorarão".
"Obrigado", respondeu ele.
Será que a minha família fora substituída por alienígenas?
Leo, vitimado pelo eritema e pela febre, arrulhava e comia o mingau morno.
Os meus filhos mais velhos trocavam gentilezas.
O meu marido me beijou na testa.
Era como se, por meio do episódio amoroso que cruzara o nosso caminho, eu e Paul estivéssemos colhendo os benefícios de um caso extraconjugal - um aumento do ardor, uma distração da realidade, um novo despertar para o significado de estar vivo - mas sem a sensação de culpa e as mentiras.
Há muito relegáramos o dia dos namorados à prateleira empoeirada do ridículo, mas naquela noite Paul chegou com rosas e vinho.
Acendemos velas e abandonamos as telas, os amigos e as responsabilidades para nos reunirmos na sala para um lânguido jantar em família e várias rodadas de Boggle.
Colocamos as crianças para dormir cedo, e descobrimos pela segunda noite seguida uma forma de nos amarmos.
Quando Andrew apareceu, conforme o prometido, na sexta-feira pela manhã para desmontar o neon, esperamos que ele nos falasse do momento feliz que compartilhou com a moça chamada Amor. Mas enquanto tomávamos o café da manhã, ele fazia silenciosamente a sua tarefa.
Finalmente, incapaz de aguentar o suspense, a minha filha disse: "Então, o que aconteceu? A sua namorada gostou do neon?".
"Não sei ao certo". Ele desconectou o neon da tomada e o brilho róseo desapareceu. "Ela não me disse nada".
"Como assim", indaguei. Como é que Amor poderia ter deixado de (no mínimo) reconhecer o seu caracter e todo o planejamento e reflexão que possibilitaram a realização do projeto?
"Bem", disse Andrew. "Reservei um lugar na churrascaria Roth's e a esperei por uma hora, mas ela nunca apareceu".
"Onde ela estava?". Imaginei a moça chamada Amor presa no trabalho ou em um vagão defeituoso no metrô. Ela possivelmente não daria um bolo em Andrew no Dia dos Namorados.
"Não sei. Ela simplesmente não apareceu".
"Mas ela viu o neon, certo?".
Leo começou a chorar, e uma grande linha de catarro descia pelo seu nariz.
Quando fui pegar um lenço de papel, esbarrei em um copo de suco de laranja, espalhando suco na mesa e no chão.
"Acho que sim", disse Andrew dando de ombros, e naquele dar de ombros enxerguei a morte da esperança.
Após enrolar o caracter novamente em plástico bolha e em papelão, ele murmurou. "Novamente, obrigado", e saiu pela porta.
O meu filho mais velho parecia a ponto de chorar.
A minha filha sentou-se ao piano para tocar uma música triste.
Leo ficou apoplético, esfregando o conteúdo dos seus olhos e nariz irritados pelas bochechas cobertas de eczemas, antes de vomitar na bandeja da sua cadeirinha de bebê, na qual eu descansava o braço.
Meu marido entrou na cozinha, observou esse cenário magnífico, e começamos a discutir sobre quem iria lavar os pratos.
Pensei de novo na história de Andrew.
Será que ele havia se iludido completamente, achando que a moça chamada Amor era sua?
Ou ele seria apenas um espreitador, e nós o teríamos o ajudado a praticar assédio?
Ou talvez Amor fosse apenas fruto da sua imaginação. Algo que nem mesmo o neon mais brilhante, mais róseo, mais realisticamente esculpido em formato de coração poderia retirar do reino da fantasia.
Era algo no qual pensar enquanto eu arrumava toda a bagunça.

DEBORAH COPAKEN KOGAN

April 15, 2007 , The New York Times

domingo, abril 08, 2007

Conversas de Páscoa

"- Papai, o que é Páscoa?
- Ora, Páscoa é... Bem... é uma festa religiosa!
- Igual ao Natal?
- É parecido. Só que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus, e na Páscoa, se não me engano, comemora-se a sua ressurreição.
- Ressurreição?
- É, ressurreição. Marta, vem cá!
- Sim?
- Explica pra esse garoto o que é ressurreição pra eu poder ler o meu jornal.
- Bom meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendeu?
- Mais ou menos... Mamãe, Jesus era um coelho?
- Que é isso menino? Não me fale uma bobagem dessas! Coelho! Jesus Cristo é o Papai do Céu! Nem parece que esse menino foi batizado! Jorge, esse menino não pode crescer desse jeito, sem ir numa missa pelo menos aos domingos. Até parece que não lhe demos uma educação cristã! Já pensou se ele solta uma besteira dessas na escola? Deus me perdoe! Amanhã mesmo vou matricular esse moleque no catecismo!
- Mamãe, mas o Papai do Céu não é Deus?
- É filho, Jesus e Deus são a mesma coisa. Você vai estudar isso no catecismo. É a Trindade. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.
- O Espírito Santo também é Deus?- É sim.
- E Minas Gerais?
- Sacrilégio!!!
- É por isso que a Ilha da Trindade fica perto do Espírito Santo?
- Não é o Estado do Espírito Santo que compõe a Trindade, meu filho, é o Espírito Santo de Deus. É um negócio meio complicado, nem a mamãe entende direito. Mas se você perguntar no catecismo a professora explica tudinho!
- Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?
- Eu sei lá! É uma tradição. É igual a Papai Noel, só que ao invés de presente ele traz ovinhos.
- Coelho bota ovo?
- Chega! Deixa eu ir fazer o almoço que eu ganho mais!
- Papai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa?
- Era... Era melhor, sim... Ou então urubu.
- Papai, Jesus nasceu no dia 25 de dezembro, né?
- É.
- Que dia que ele morreu?
- Isso eu sei: na Sexta-feira Santa.
- Que dia e que mês?
- (???) Sabe que eu nunca pensei nisso? Eu só aprendi que ele morreu na Sexta-feira Santa e ressuscitou três dias depois, no Sábado de Aleluia.
- Um dia depois!
- Não, três dias depois.
- Então morreu na quarta-feira.
- Não, morreu na Sexta-feira Santa... Ou terá sido na Quarta-feira de Cinzas? Ah, garoto, vê se não me confunde! Morreu na sexta mesmo e ressuscitou no sábado, três dias depois! Como? Pergunte à sua professora de catecismo!
- Papai, por que amarraram um monte de bonecos de pano lá na rua?
- É que hoje é Sábado de Aleluia, e o pessoal vai fazer a malhação do Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.
- O Judas traiu Jesus no sábado?
- Claro que não! Se Jesus morreu na sexta!!!
- Então por que eles não malham o Judas no dia certo?
- Ui...
- Papai, qual era o sobrenome de Jesus?
- Cristo. Jesus Cristo.
- Só?
- Que eu saiba sim, por quê?
- Não sei não, mas tenho um palpite de que o nome dele era Jesus Cristo Coelho. Só assim esse negócio de coelho da Páscoa faz sentido, não acha?
- Ai Coitada!
- Coitada de quem?
- Da sua professora de catecismo! "

LUIS FERNANDO VERÍSSIMO (Jornalista, publicitário,
humorista, cronista, cartunista, tradutor... "Uma pessoa que fala escrevendo")

quinta-feira, março 15, 2007

When all the clouds darken up the skyway, there's a
rainbow highway to be found, leading from your window pane to a place behind the
sun, just a step beyond the rain...

E.Y.HARBURG ('Over the rainbow' de "The Wizard of Oz")

sábado, março 10, 2007

Seja feliz!

1. Determine-se a sofrer menos. Lide de forma mais tranqüila com as adversidades, não se desespere. Na maioria das vezes, quando nos desesperamos perdemos a capacidade de raciocínio e tomamos atitudes que, em sã consciência, não tomaríamos.

2. Procure compreender, não só racionalmente, mas com o coração, que uma das maiores leis que existe do planeta é a da transitoriedade. Nada é permanente, tudo passa. A vida é uma grande roda na qual estamos atados. Em um momento estamos em cima, e nessa hora devemos agradecer ao universo e não deixar passar as oportunidades e as bênçãos que este nos dá, e nos preparar para "os dias mais frios" que, inevitavelmente, chegarão. Quando sabemos que o inverno virá, de uma forma ou de outra, deixamos alguma lenha reservada para nos aquecer nas noites frias.

3. Busque o prazer. Pare de fazer o que não gosta só para agradar a pessoas que não dão a mínima pra você. Não seja tolo, ame-se, seja mais amoroso com você, não se violente fazendo o que não gosta. Permita-se dizer não.

4. Se a vida te dá um limão, aprenda a fazer uma refrescante limonada. Pare de se queixar do que não possui. Aprecie o que a vida deu a você e, se tiver disponibilidade interna para isso, poderá observar que tem o bastante para este momento, e que se acha pouco, deve começar desde já a construir um futuro mais abundante. A queixa só mostra que você ainda está atrelado à sua criança abandonada, impotente em sua dependência. Coloque em sua cabeça que não somos marionetes nas mãos de uma grande força invisível. Se sua vida não está boa, faça melhor daqui para frente!

5. Ocupe-se de poucas coisas. Se você é o tipo de pessoa viciada em fazer muitas coisas, ter diversas atividades em um só dia, desculpa, mas você nunca conseguirá tranqüilidade. Sua alma estará sempre ansiosa e atormentada. Seja mais amoroso com você, observe seus limites e respeite-os.

6. Busque dentro de você pensamentos de paz e harmonia. Saia do desassossego. Comece por diminuir seu ritmo de respirar, de andar e até de pensar. Momentos de ócio são ótimos remédios para o corpo e a alma.

7. Aceite os obstáculos que a vida impõe a você sem se achar a pessoa mais sofredora deste planeta. Acredite, existem pessoas que neste exato momento estão sofrendo bem mais do que você. Busque a compreensão e a serenidade, mesmo em meio às adversidades.

8. Busque e pratique a simplicidade. Diminua o tamanho de sua ambição. Já parou para pensar nisso? Ou ainda está preso na armadilha social de "somente ser alguém se for bem-sucedido"? Será que você precisa mesmo de tudo o que considera importante neste momento? Seja simples e natural - no falar, no vestir, no pensar. Lembre-se: a vida é uma só e o momento é agora.

9. Viva cada momento a seu tempo, um dia de cada vez. Para isso, desenvolva a fé de que há algo ou alguém cuidando de você. Faça a sua parte e entregue o que não está sob seu controle a Deus. Confie, ele se encarregará de cuidar para que tudo dê certo.

10. Não se submeta aos humores dos outros - viva e seja você mesmo, independentemente do que o outro é e sente em relação a você.

11. Procure ser independer. Deposite a construção de sua felicidade apenas em você. Quando você aprender a se amar, tudo te será dado. Ame-se, namore-se, cuide-se, apaixone-se por você. Não de maneira narcisista, mas como filho de Deus que você é.

12. Pare de fazer planos a longo prazo, pois dessa forma você perde o controle sobre sua vida. Faça-os ano a ano, pois dessa forma é possível organizar seus passos. Mas planeje fazer coisas que estão sob seu controle.

13. Tenha como objetivo melhorar e desenvolver o que tem de melhor e aperfeiçoar o que ainda não está bom, mas de maneira amorosa e racional.

14. Você pensa na morte? Pois pense. Você é mortal, sabia? Nenhum de nós escapará desse destino. Não pense na morte de maneira mórbida, mas como o final natural e inevitável desta linda jornada por este planeta.

15. Aprenda a envelhecer com dignidade. Cultive sua alma, suas melhores qualidades, seu amor e cuide de seu corpo, sem neuroses.

SEJA FELIZ!

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Falta


De repente bate uma saudade,
uma falta de algo que nem se sabe,
alguém que nem se sabe quem...
Só se sabe que a falta está aí
pintando e fazendo barulho à sua porta,
e ela não pára de fazê-los.

E seus sons e cores levam pra lugares perdidos
na memória, no baú...
Passagens e flashes aparecem e se desfazem
sem que se permitam ser identificados...
e fazem isso só para que pense neles
mesmo sem saber no que está pensando.
Só para que sinta falta deles,
mesmo que seja de algo que nem se sabe
ou de alguém que nem se sabe quem...


Texto
por Isadora em 05 de fevereiro de 2007.
Fotografia por Isadora em 16 de julho de 2006.

domingo, fevereiro 04, 2007

ARTE?

Chamam-me de Arte. Podes chamar-me deste modo caso também queira. Talvez mudes de opinião e, como eu, passes a não me definir mais como Arte. Digo isto pensando no que já fui e no que me tornaram hoje.
Fui aquela que, na essência, retratava as belezas do mundo, as alegrias e o orgulho. Era companheira da Música, do Teatro, da Escultura, da Dança e da Fotografia. Sem mim tornar-se-iam frias e sem conteúdo. Seriam formas sem harmonia, sons sem melodia, movimento sem intenção.
Fui feliz e, desta forma, trazia a felicidade às pessoas. Fazia bem a elas minha presença e minha harmonia.
Hoje não sou mais feliz, não me permitem ser assim. Querem que a Arte denuncie, agrida e machuque as pessoas. Não sou mais bela o quanto fui, nem mais harmoniosa. Sou hoje a denúncia do desmundo em que vives; não por vontade própria, mas por desejo daquele que me cria.
Detesto causar repugnância às pessoas, mas é isto que sinto quando olho para meu passado e comparo-me ao que foi feito de mim hoje. E a tudo isso ainda chamam de Arte. Disse, já, que é contra a minha vontade, pois não vai a favor da essência, que é trazer bons sentimentos a quem me aprecia.
Isto me causa dor e sei que dói também em ti que não podes mais encontrar harmonia, melodia e intenção em mim. Vês apenas o retrato de teu mundo sujo e frio.
Espero, um dia, voltar a ser o que fui, ou, ao menos, ser melhor do que sou hoje aos olhos de quem me vê. Quero poder ser o bem em lugar da agressão a qual me tornaram.
Não me sinto mais Arte; minha essência foi perdida. Não sei o que pensas tu; talvez Arte ou não; talvez denúncia, talvez pó. Mas espero, outrossim, que um dia vejas-me novamente com a essência, que me roubaram.
Neste dia voltarei a ser harmonia, melodia e intenção.


Texto por Isadora, em 22 de outubro de 2006. (após visita à Bienal de Artes de São Paulo)

sábado, fevereiro 03, 2007


"A ciência é grosseira,

a vida é sutil,
e é para corrigir essa distância
que a literatura nos importa."

ROLAND BARTHES (escritor, sociólogo, crítico literário,
semiólogo e filósofo francês.)


terça-feira, janeiro 16, 2007

Desventuras...

Hoje me aconteceu algo, a princípio, trágico, mas que no fim das contas acabei agradecendo, mesmo com uma pontinha de incerteza no meu gesto...

Deixei 40 candidatos para trás, faltavam apenas mais 8 da 2ª fase e pronto... já estaria lá entre os 30 futuros arquitetos na Unicamp. Que sonho!
Será mesmo?!
A verdade é que eu não quero a Unicamp (apesar de ter feito um grande esforço pra que isso acontecesse)... Não quero ter aulas que poderiam ser lindas caso não fossem ministradas por engenheiros; não agüentaria 6 anos com mestres retificando, medindo e calculando o que poderia ser arte. Quero a criação, as curvas, a história... sei que da matemática e da minha nova amiga física não me livrarei, mas não posso passar 6 anos só na companhia delas.

Consigo enumerar sem esforço 8 coisas que “resolveram” acontecer hoje pra me tirar do jogo mas que eu insistia em não dar ouvidos... até que as circunstâncias tiveram de ser mais diretas pra me convencer: “Desculpa moça, o portão acabou de fechar...” (Relógio marcando 13h45’45’’).... sim, 45 segundos me deixaram pra fora!!! E não havia jeito de convencer o fiscal que 45 segundos não faziam diferença nenhuma!
“Não vai chorar moça, vc passa em outra!” Não, chorar não tinha me vindo à cabeça... só não estava assimilando a idéia ainda...

Ponto de ônibus, ônibus, rodoviária, ônibus: Indaiatuba, 15h00.
Voltei... E voltei pensando em tudo o que tinha acontecido desde as primeiras fases... me culpei infinitamente!
No fim perdoei-me e, então, agradeci às forças maiores desse universo por terem me livrado de mim mesma. (vocês vão entender, prossigam com a leitura...).

Digo isso, pois, no fim das contas, caso passasse nas duas, talvez acabasse ficando aqui por uma série de motivos, e fizesse a faculdade que eu não queria... e, caso só passasse aqui, não sei se teria coragem o suficiente de abrir mão da vaga que eu não queria tanto e fazer cursinho mais um ano pra passar na que eu realmente sonhava. Difícil!
Agora, de três, me restam apenas duas opções... passar na USP, ou não passar na USP (e aí, não correr o risco de fazer outra universidade e levar 6 anos arrastados enquanto eu posso levar apenas 1 de cursinho.).

Bom, enquanto isso eu espero...e torço (torço MUITO!!),
dia 07 não vai demorar tanto assim!


Texto por Isadora, em 16 de janeiro de 2006.