segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Falta


De repente bate uma saudade,
uma falta de algo que nem se sabe,
alguém que nem se sabe quem...
Só se sabe que a falta está aí
pintando e fazendo barulho à sua porta,
e ela não pára de fazê-los.

E seus sons e cores levam pra lugares perdidos
na memória, no baú...
Passagens e flashes aparecem e se desfazem
sem que se permitam ser identificados...
e fazem isso só para que pense neles
mesmo sem saber no que está pensando.
Só para que sinta falta deles,
mesmo que seja de algo que nem se sabe
ou de alguém que nem se sabe quem...


Texto
por Isadora em 05 de fevereiro de 2007.
Fotografia por Isadora em 16 de julho de 2006.

domingo, fevereiro 04, 2007

ARTE?

Chamam-me de Arte. Podes chamar-me deste modo caso também queira. Talvez mudes de opinião e, como eu, passes a não me definir mais como Arte. Digo isto pensando no que já fui e no que me tornaram hoje.
Fui aquela que, na essência, retratava as belezas do mundo, as alegrias e o orgulho. Era companheira da Música, do Teatro, da Escultura, da Dança e da Fotografia. Sem mim tornar-se-iam frias e sem conteúdo. Seriam formas sem harmonia, sons sem melodia, movimento sem intenção.
Fui feliz e, desta forma, trazia a felicidade às pessoas. Fazia bem a elas minha presença e minha harmonia.
Hoje não sou mais feliz, não me permitem ser assim. Querem que a Arte denuncie, agrida e machuque as pessoas. Não sou mais bela o quanto fui, nem mais harmoniosa. Sou hoje a denúncia do desmundo em que vives; não por vontade própria, mas por desejo daquele que me cria.
Detesto causar repugnância às pessoas, mas é isto que sinto quando olho para meu passado e comparo-me ao que foi feito de mim hoje. E a tudo isso ainda chamam de Arte. Disse, já, que é contra a minha vontade, pois não vai a favor da essência, que é trazer bons sentimentos a quem me aprecia.
Isto me causa dor e sei que dói também em ti que não podes mais encontrar harmonia, melodia e intenção em mim. Vês apenas o retrato de teu mundo sujo e frio.
Espero, um dia, voltar a ser o que fui, ou, ao menos, ser melhor do que sou hoje aos olhos de quem me vê. Quero poder ser o bem em lugar da agressão a qual me tornaram.
Não me sinto mais Arte; minha essência foi perdida. Não sei o que pensas tu; talvez Arte ou não; talvez denúncia, talvez pó. Mas espero, outrossim, que um dia vejas-me novamente com a essência, que me roubaram.
Neste dia voltarei a ser harmonia, melodia e intenção.


Texto por Isadora, em 22 de outubro de 2006. (após visita à Bienal de Artes de São Paulo)

sábado, fevereiro 03, 2007


"A ciência é grosseira,

a vida é sutil,
e é para corrigir essa distância
que a literatura nos importa."

ROLAND BARTHES (escritor, sociólogo, crítico literário,
semiólogo e filósofo francês.)