domingo, setembro 30, 2007

Eu conheço um planeta onde há um sujeito vermelho, quase roxo.
Nunca cheirou uma flor.
Nunca olhou uma estrela.
Nunca amou ninguém.
Nunca fez outra coisa senão somas.
E o dia todo repete como tu: "Eu sou um homem sério! Eu sou um homem sério!" e isso o faz inchar-se de orgulho.
Mas ele não é um homem; é um cogumelo!

ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY (piloto da Segunda Guerra Mundial; escritor e ilustrador de 'Le petit prince' durante exílio nos EUA)

sábado, setembro 22, 2007

...
we'll make it
...
Take all your big plans
And break 'em
This is bound to be a while... ;)

terça-feira, setembro 11, 2007

O mendigo que me fez sorrir

"Moça, a senhora tem um minuto?"
Olhei para trás, um homem mal vestido, sujo; com um sorriso iluminado.
Hesitei em dar-lhe o minuto mas cedi ao que chamariam de loucura. Olhei-o como se respondesse sim, sorri esperando que me pedisse algo.
"Com todo o meu respeito mesmo, a moça é muito bonita!"
Sem graça, sorri e soltei um obrigada em meio às desculpas do homem por não querer me assustar.
"E a senhora é mais bonita ainda porque parou pra ouvir um mendigo... Bonita a sua humildade."
Não sabia como agir nem o que dizer ao homem da rua, e como se percebesse isso, pediu para que eu nao me constrangesse pois ele era "só um mendigo mesmo, mas eu precisava falar isso pra senhora... e a senhora ouviu! Fico muito agradicido! ...Pode seguir seu caminho dona moça, não quero atralhar a sua andança."
Mas ele não atrapalhava, nem assustava.
Tinha conseguido tirar um sorriso de meu rosto e me feito parar por um instante pra ver que o mundo não é das pessoas sérias, auto-entituladas corretas, que andam altivas pelas ruas; e como se pudesse ver por através de meus olhos os pensamentos, falou suas quase últimas palavras:
"Só é feliz quem pode fazer carinho num cachorro, quem pode plantar uma frô ou parar pra ouvir alguém, mesmo que esse alguém seja assim, mendigo, como eu... E eu vejo que a moça é feliz."
Meus olhos enxeram-se de lágrimas e ele me deixou pedindo desculpas caso tenha me coagido. "Aprendi essa palavra hoje, numa música... É bonita também, não é dona?!"
"É moço, é bonita sim..." escondendo o choro por trás de outro sorriso.
"Bom dia pra senhora, que Deus te deixe sempre com esse sorriso assim... Mta felicidade pra moça, bom trabalho."
"Obrigado senhor, bom dia pro senhor também!"
"Amém! Vai ser moça, vai ser..."
Foi embora e tomei também o meu caminho de volta agradecendo por ter parado para ouvir o homem. Pensamentos soltos por aí, mas no fim o que permanecia era que hoje eu encontrara um mendigo e ele me fizera sorrir...
Chegando em casa não resisti em contar no papel o acontecido. Tão simples, mas que me fizera ver as coisas mais belas e parar mais para acariciar um cachorro, plantar uma flor e, quem sabe, conversar com um mendigo...

Texto por Isadora depois da conversa com o mendigo, em 11 de Setembro de 2007.