sexta-feira, julho 09, 2010

Férias Perfeitas

A gente se ilude pensando que a palavra “férias” significa largar o trabalho e atravessar o oceano para ver todos os filmes, todas as exposições e cair de boca nas compras. Mas que nada, férias de verdade mesmo seria se todos os momentos do dia fossem só prazeres – o que, convenhamos, não é fácil.

Nada de aproveitar e ir ao médico para trocar o grau dos óculos, tirar aquele sinal da pele ou fazer um check-up; dentista, nem pensar. Para cuidar dessas coisas desagradáveis, você tem 11 longos meses no ano.

Para que as férias sejam mesmo ideais, é preciso que o Universo conspire a seu favor, e essa é a parte mais difícil, apesar do que afirma Paulo Coelho. A família, por exemplo, só deveria aparecer para dar boas notícias, e alguém se encarregaria de censurar os jornais, escondendo todas as tragédias, a fim de afastar qualquer pensamento que não seja de alegria, fé e esperança.

Nesse mês, seria permitido parar o carro em fila dupla às 6 da tarde em qualquer lugar da cidade para comprar uma sandália nova, e o governo baixaria uma medida provisória determinando que quem está de férias não paga conta nenhuma: o gás, a luz, o telefone, o aluguel, o médico, o cabeleireiro, o colégio das crianças, os restaurantes, o supermercado, e até as delicatessens respeitariam o nosso direito à felicidade e à despreocupação. Não seria um sonho?

Tem mais: ficaríamos liberadas da ginástica, e um dispositivo especial filtraria os telefonemas e só liberaria os chamados de pessoas muito queridas. Não choveria, a temperatura oscilaria entre 20 e 25 graus de dia e cairia à noite, o suficiente para que as mulheres pudessem sair de mantô com suas botas maravilhosas, como elas adoram.

Durante esse mês, os amigos estariam amando e sendo muito amados, sem problemas de dinheiro, e os mercados estariam cheios de mangas, morangos, jabuticabas, cajus e pitangas – tudo ao mesmo tempo. Os ladrões e assassinos dariam uma trégua a quem estivesse de férias, a seleção do Brasil jogaria durante quatro domingos seguidos uma final de Copa (e venceria sempre). Seriam 30 dias em que não se pegaria um só resfriado, a coluna não daria sinal de vida, o plano de saúde dispensaria o pagamento da mensalidade e quem desse más notícias seria preso. Antigos namorados apareceriam com flores e bombons dizendo que você foi a mulher da vida deles, o que é sempre muito bom de ouvir. Os filhos não nos dariam preocupações, e até aquela cozinheira maravilhosa que te deixou para abrir um restaurante bateria na sua porta querendo voltar.

Quando você andasse na rua, ouviria as pessoas sussurrando: “Ah, mas que mulher linda, nunca vi nenhuma mais bonita”, e isso levaria sua auto-estima às alturas. E durante esse tempo seria possível comer travessas de empadinhas e rissoles de camarão, seguidas de montanhas de brigadeiros, e ainda arrematar com um prato enorme de fios de ovos na certeza de que, no dia seguinte, o ponteiro da balança estaria no mesmo lugar, como se tivesse sido colado com SuperBonder. E não se faria uma só mala, não se pisaria num só aeroporto, não se compraria um só euro. Essas seriam as melhores férias do mundo – ou a gente não merece tanto?

DANUZA LEÃO (Cronista)

terça-feira, maio 04, 2010



"Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba.


E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer."
O. MONTENEGRO



MIRÓ, Ouro do azul do céu


segunda-feira, abril 26, 2010

Voyage dans la Lune


Dia desses me perguntaram se eu havia abandonado o Rabisco; como se me cobrassem de nunca mais ter postado nada por aqui.
A verdade não é essa, nada pessoal com o Rabisco... foi, digamos que, "pessoal comigo mesma".
Me veio a cabeça que o Rabisco sempre ressurge quando aparece a mágica das coisas, o encantamento. E por tempo eles andavam um tanto sumidos, até sei perdidos aonde.

Isso aqui revive da minha vontade de colocar pra fora a emoção das coisas, de contar da alegria de bobagens, desta magia que disse...que se cria nos detalhes. E se o Rabisco vive desse encanto, então é fato que quando este se apaga, com ele se vai tudo o poderia dizer aqui.

...ressurge quando brilha de novo o encanto. E o encanto é a arte, é a música, são as cores do arco-íris que riscam ao levitar. É um filme, são palavras... e é a certeza de cada uma destas coisas pode fazer a diferença em uma semana toda, mesmo que ela ja se tenha ido quase inteira.

LE VOYAGE DANS LA LUNE é foi uma destas, daquelas que de tão simples me fizeram brilhar o olhar de encher de vida.


Le voyage dans la Lune. Primeiro curta-metragem de ficção da história do cinema.
1902, Georges Mèliés.
Baseado nas obras de Julio Verne e H. G. Wells.




Texto por Isadora, em 26 de abril de 2010, pensando nas aulas de Literatura & Cinema.